Associação Alquimídia e Nudecri fecham parceria para promover uso de redes sociais alternativas às das big techs nas instituições públicas brasileiras

A campanha Fedigov (ou Governo no Fediverso) que começou como uma iniciativa europeia, hoje adaptada para o Brasil pela Associação Alquimídia, visa, entre outras coisas, diminuir a terceirização da comunicação pública institucional para as plataformas das grandes empresas de tecnologia (Meta, X, YouTube), seu modelo de negócios e seus algoritmos opacos. O Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade da Unicamp (Nudecri) se soma no esforço para fortalecer essa estratégia pela soberania digital do país.

O movimento procura convencer às instituições públicas a fazerem uso de redes sociais descentralizadas e de código aberto, como o Mastodon e o Peertube, para se sobrepor à dependência com as big techs na hora de informar e comunicar conteúdo de interesse público. Um dos princípios da campanha é que se a informação é pública e impulsionada com dinheiro público, sua difusão não deveria depender ou ser intermediada por plataformas privadas e algoritmos não auditáveis. Para o Vice-Coordenador do Nudecri, professor e pesquisador, Rafael Evangelista “há uma continuidade histórica entre as demandas sobre a adoção de licenças livres para softwares financiados publicamente, e a campanha para que a comunicação pública seja feita também por redes federadas e descentralizadas. O Estado precisa parar de financiar interesses particulares e passar a contribuir com a criação de bens públicos digitais.”

Governos e universidades da Holanda, Alemanha, e França, inclusive a Comissão Europeia, têm se adiantado a respeito da criação de bens públicos digitais, e já formam parte da iniciativa Fedigov. Algumas dessas experiências são exibidas como exemplos no site da campanha, como a Rede Nacional de Pesquisa e Educação Holandesa, e o Governo Francês, entre outros. O Nudecri foi convidado pela Alquimídia a fazer parte dessa iniciativa para servir como modelo brasileiro e parceiro para mostrar e chamar outras universidades e instituições públicas a replicarem a experiência. “A parceria com o Nudecri é muito bem-vinda porque o mapeamento e a pesquisa que o núcleo realiza contribuem para a expansão da campanha com base em evidências concretas e atualizadas”, afirma Thiago Skarnio, coordenador da Alquimídia. O Nudecri vem desenvolvendo, desde o ano passado, um projeto de pesquisa chamado “O Fediverso nas Universidades Públicas: iniciativas para a construção de uma soberania digital nas universidades paulistas”.

Através do projeto, o Núcleo é a primeira instituição universitária no Brasil em criar suas próprias instâncias no Mastodon e no Peertube para divulgação e comunicação da ciência, inclusive para que seus pesquisadores, pesquisadoras e jornalistas façam uso dessas redes em paralelo ou substituindo as redes sociais proprietárias. Isto é assim porque “para o Nudecri, a comunicação é indissociável das infraestruturas que fazem a circulação da informação. Não dá para ficar refém de plataformas que não controlamos”, destaca Rafael Evangelista.

A campanha Fedigov menciona quatro razões estratégicas para que as instituições públicas adotem plataformas de código aberto e software livre para implementar uma comunicação institucional ética: i) soberania digital na utilização independente e autodeterminada de tecnologias digitais por parte do Estado e organizações; ii) o uso do dinheiro público para benefício da população e para cumprir as obrigações legais das instituições públicas, em vez de enriquecer as carteiras de corporações multinacionais; iii) garantia da proteção de dados dos seus cidadãos, entendendo que as pessoas não devem ser forçadas a ceder os seus dados a megacorporações só para poderem se comunicar com instituições públicas e serem informadas pelas mesmas; e por último, iv) certeza legal, no sentido de garantir a comunicação segura, e dentro da margem da lei, das pessoas, uma vez que é mais viável estabelecer práticas éticas de comunicação e alcance da mesma em plataformas sob o controle do Estado (e as instituições pertencentes a ele), diferentemente das dificuldades que se apresentam para fazer com que as redes sociais das grandes plataformas atuem de acordo às leis de proteção de dados e regulação de conteúdo do país.

Para acessar e acompanhar o conteúdo da campanha, visite o site www.fedigov.org.br. As atualizações também podem ser conferidas nas mídias sociais do Nudecri (@nudecri), a Alquimídia (@alquimidia), e da campanha #VemProFediverso (@VemProFediverso). E, claro, você pode seguir as redes federadas pela conta @fedigov@fedigov.org.br.

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